O primeiro contacto do consumidor com o vinho se dá através dos rótulos, de modo que estes interligam a produção e o consumo, desempenhando um poderoso instrumento de promoção do produto. Ainda que não se queira julgar o vinho pelo rótulo, é nesse primeiro contacto que o consumidor vai adquirir as informações mais elementares  e formar as suas primeiras impressões acerca do produto. Por exercerem um papel importante neste primeiro contacto com o consumidor, a sua comunicação visual não passa despercebida e segue alguns critérios, já que a primeira impressão muitas vezes determina a compra.

Os rótulos apresentam-se de diversas maneiras e variam seja no formato, nas cores utilizadas, na criatividade empregada ou mesmo no conteúdo. Tudo vai depender da sua origem, do produtor e das tendências ditadas pelos designers.  Porém, todos eles têm semelhanças: a tentativa de atrair a atenção dos consumidores, a necessidade de informá-los a cerca do produto e de induzi-los à compra. Isto é, o que se pretende neste espaço limitado é transmitir as informações úteis aos consumidores de forma transparente, respeitando os requisitos impostos pela legislação que regula a rotulagem dos vinhos, associando à elas um senso estético atraente e indo para além de informações meramente persuasivas ao consumo.

Rótulo eficaz

Apesar do forte apelo estético, um rótulo acertado não é necessariamente o mais gracioso e sim aquele que motiva e impulsiona o consumo. Para isso, deve ser capaz de transmitir ao consumidor uma mensagem pertinente a ponto de criar uma relação estável entre este e a  marca.

Desta maneira, quais os cuidados que se deve ter em conta no momento da concepção de um bom rótulo?

Vejamos:

  • Atemporalidade – a utilização de um mesmo rótulo deve prolongar por pelo menos alguns anos (em média 3 anos) para solidificar e firmar-se no mercado. Isto revela que as tendências que vigoram no momento da criação devem inspirar, mas é preciso ter alguma cautela e atenção quanto à longevidade da sua utilização, já que para construir uma identidade de marca forte é fundamental atentar para a sua permanência no mercado de modo a permitir a construção da lealdade à marca, a divulgação e conhecimento do nome, bem como da identidade visual e o bom posicionamento da marca.
  • Imagem forte e marcante – a imagem central do rótulo é a mais relevante e a que vai de facto distinguir o produto dos seus congéneres num primeiro olhar. Por assim ser, esta tem que ser capaz de se destacar rapidamente e à distância ao olharmos para a prateleira, o que certamente passará pela sua originalidade.
  • Disponibilizar as informações relevantes de modo sucinto, hierarquizado e estratégico – isto é, deve contemplar as menções obrigatórias por lei (tais como: marca, região de proveniência, designação do produto,volume alcoólico e etc…) e se deter ao essencial, priorizando as informações essenciais em relação àquelas que se limitam ao auto-engrandecimento e que pouco informam os consumidores sobre o produto.

Em suma, podemos assegurar que os rótulos desempenham um papel imprescindível no processo de escolha do consumidor, contribuem igualmente na construção da identidade de marca, agregam valor ao produto e são importantes factores de diferenciação. Assim, ainda que isoladamente não sejam suficientes para assegurar a aceitação e o êxito do vinho no mercado, um bom rótulo associado à um produto de qualidade é meio caminho andado para o seu sucesso, visto que é um dos requisitos essenciais e um complemento de toda uma cadeia produtiva que anseia responder as necessidades e anseios do consumidor.

Assinatura Natália