Queijos e vinhos, uma combinação sofisticada e que atrai muitos olhares. Porém, esta combinação não é tão simples quanto pode parecer. Na enogastronomia os queijos são vistos como um dos alimentos mais difíceis de harmonizar com o vinho, pelo que devemos seguir alguns critérios para que este casamento seja um sucesso.

Para nos auxiliar nesta busca da combinação mais adequada entre vinhos e queijos portugueses, contamos com as preciosas dicas partilhadas pelo prestigiado escanção/sommelier português, Rodolfo Tristão.

Primeiramente, ele nos ensina que para harmonizar queijos e vinhos temos que ter em consideração o tipo de leite utilizado no fabrico do queijo. Num segundo momento, devemos ainda ter em conta o tipo de maturação utilizada no processo de elaboração, ou seja, é relevante saber se este é de pasta mole ou dura. Isto porque os queijos de pasta mole requerem vinhos com alguma acidez e os queijos de pasta dura, por seu turno, combinam melhor com vinhos com alguma estrutura e complexidade, mais tânicos.

Abaixo, uma lista de sete variedades de queijos portugueses e suas respectivas notas de harmonização com vinho.

Dicas preciosas para os anfitriões!

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Queijos da Serra da Estrela (DOP)

Queijos da Serra da Estrela (DOP)

Origem: Serra da Estrela.

Um dos queijos portugueses mais conhecidos além-fronteiras e o mais antigo, o queijo da Serra da Estrela. Este devido à sua estrutura, untuosidade e gordura, requer vinhos com alguma estrutura para que possa contrastar com a sua proteína. Assim, sugerimos um Vinho do Porto 30 anos, tawnies, Vinho da Madeira Reserva e Vinho de Carcavelos. Poderá também apostar nos vinhos brancos, sedosos, equilibrados com textura e ainda nos brancos antigos, os da região da Bairrada e do Dão podem ser óptimos companheiros para este tipo de queijo.

Queijo de Serpa (DOP)

Origem: Serpa, Alentejo.

Este queijo é produzido a partir de um leite gordo, cheio de proteínas e gordura, temos um produto de sabor forte, ligeiro picante. As escolhas adequadas são vinhos colheitas tardias, com teor de açúcar elevado e frescura presente. Moscatel de Setúbal poderá ser uma agradável surpresa para oferecer ao conjunto um sabor diferente e guloso.

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Queijo de Azeitão (DOP)

Queijo de Azeitão (DOP)

Origem: Azeitão, Setúbal. 

O queijo de Azeitão é elaborado a partir de leite de ovelha, este apresenta pasta mole e consumido novo. Devido à sua untuosidade necessita de vinhos com alguma acidez. Para acompanhar este tipo queijo devemos dar prioridade aos vinhos brancos jovens, acídulos e refrescantes ou aos rosés frescos, frutados e elegantes. Porém, se quiser uma combinação um pouco mais destemida, opte um espumante novo.

Queijo Terrincho (DOP)

Origem: distrito de Bragança, na região de Trás-os-Montes e Alto Douro.

Queijo de sabor forte, elaborado a partir de leite de ovelha da raça Churra da Terra Quente. Este queijo é uma escolha acertada para acompanhar um vinho do Porto Tawny 10 anos (sendo um vinho envelhecido, apresenta-se com alguma frescura).

Queijo da Beira Baixa (DOP)

Origem: Beira Baixa (produzido nos concelhos de Castelo Branco, Belmonte, Fundão, Penamacor, Idanha-a-Nova, Proença-a-Nova, Vila de Rei, Sertã, Vila Velha de Ródão, Oleiros e Covilhã).

Podemos encontrar diferentes aromas e sabores nestes queijos, tendo em conta a sua cura. Desta maneira, encontramos três variedades de queijos:

  • Queijo de Castelo Branco – queijo que apresenta sabor intenso, algo amanteigado, sendo este uma excelente escolha para acompanhar vinhos doces, licorosos e Vinho do Porto Rubies, que, sendo jovens, apresentam alguma frescura que suaviza a intensidade do queijo;
  • Queijo Amarelo da Beira Baixa- queijo de pasta dura, sabor forte e guloso. Vinhos tintos com alguma idade, de taninos suaves harmonizam bem. Vinhos do Porto Tawnies, com alguma idade, são também óptimas escolhas.
  • Queijo Picante da Beira Baixa, sabor picante, energético ao paladar, necessita de vinhos com algum teor de doçura para contrastar com o picante. Os vinhos da Madeira, de Carcavelos e Moscatel de Setúbal são opções que nos guiam por uma viagem de sabores exóticos.

Queijo de Évora (DOP)

Origem: Évora, Alentejo.

Queijo de pasta dura, seco, com teor de água reduzido, sabor forte e encorpado. Estes demandam vinhos com estrutura. Vinhos brancos sedosos, equilibrados e com textura são apetecíveis escolhas. Todavia, se pretender descobrir novos aromas, eleja um Vinho de Carcavelos ou um Moscatel de Setúbal com alguns anos.

Queijo de São Jorge (DOP)

Origem: Ilha de São Jorge, Açores.

Queijo de sabor forte, sendo mais intenso quanto maior for o tempo de cura. Este denota um sabor picante devido ao tipo de vegetação que só se encontra na ilha, expressando assim características do seu terroir. Por estarmos diante de um queijo com sabores acentuados, devemos harmonizá-lo com vinhos equilibrados, sendo boas apostas os brancos aromáticos, frescos e envolventes ou os licorosos com teor de açúcar presente.

O escanção/sommelier Rodolfo Tristão, além de Presidente dos Escanções de Portugal e de docente da Escola Superior de Hotelaria e Turismo do Estoril, tem um vasto currículo, tendo trabalhado em alguns dos melhores restaurantes do Mundo, como o El Celler Can Roca, The Vineyard e La Trompette. Em Portugal, passou ainda pela Casa da Dizima, Restaurante Club, Quinta dos Frades e 1300 Taberna.
Assinatura Natália