Na semana retrasada, Mainz, Alemanha, sediou o 38º Congresso Mundial da Vinha e do Vinho realizado pela Organização Internacional do Vinho (OIV). O evento contou com a participação da comunidade científica ligada ao sector, profissionais de diversas áreas e nacionalidades, revelando-se um encontro frutífero e oportuno para a troca de experiências e para dar visibilidade às recentes pesquisas e avanços científicos, para além de reforçar o networking entre os profissionais e instituições ali representadas.

OIV

A Organização Internacional da Vinha e do Vinho, doravante OIV, é uma organização técnica e científica intergovernamental que actua no sector da vinha, do vinho, das bebidas à base de vinho, das uvas de mesa, das uvas para passas e de outros produtos da vinha. Esta tem por objetivos: i) informar sobre medidas que possam contemplar as preocupações de produtores, consumidores e outros intervenientes do setor dos produtos vitivinícolas, ii) prestar assistência a outras organizações internacionais que participam em actividades de normalização e iii) contribuir para a harmonização internacional das práticas e normas em vigor. Actualmente, estão representados na OIV 46 Estados, dos quais 21 são EstadosMembros da União Europeia (a União Europeia não é membro da OIV). São culturas que se unem através do vinho e que juntas discutem os desafios do sector.

Congresso

Na abertura do evento, o Director-Geral da OIV, Jean Marie  Aurand, expôs as estatísticas acerca da vitivinicultura pelo mundo, de forma a actualizar os participantes sobre os números oficiais da OIV e evidenciar as principais regiões produtoras/consumidoras e as mudanças sentidas no consumo e na produção nos últimos anos. Ainda na cerimónia de abertura do Congresso, debateu-se sobre: a importância do programa Wine in Moderation, as directrizes para o consumo responsável do vinho, as vantagens e desvantagens do consumo de vinho, a preocupação de combater  o alcoolismo e reforçar a associação do consumo de vinho à um estilo de vida saudável e responsável, bem como os resultados práticos que o programa tem alcançado no seio da União Europeia e que um dia pode vir a deixar de ser um movimento europeu e se tornar um movimento global.

As palestras estavam divididas pelas seguintes áreas do saber: Vinicultura, Enologia, Economia e Direito, Segurança e Saúde. Já as visitas técnicas estavam divididas pelas regiões: Siebeldingen (Geilweilerhof), Oppenhein, Neustadt an der Weinstraße, Bad Kreuznach, Curso médio do Reino e Rheingau (a que tive oportunidade de fazer e verão fotos aqui abaixo).

A região

Mainz, capital do estado da Renânia- Palatinado, situa-se na margem esquerda do rio Reno e considerada a cidade alemã do vinho, devido a sua proeminente cultura vitivinícola. A cidade tem um rico legado cultural e é famosa pelos excelentes vinhos que produz e que aliam tradição e modernidade. Vale ainda ressaltar que a  região de Rheinhessen, da qual Mainz faz parte, é a zona com mais expoente dentre as 13 regiões vitivinícolas do país.

Note-se  também que Mainz tem expressão mundial. Esta cidade é uma das capitais mundiais do vinho (Great Wine Capitals) ao lado de Bilbao, Bordeaux, Cape Town, Mendoza, Porto, San Francisco e Valparaíso.

A Alemanha é o maior importador de vinho do mundo, importando por ano 30 milhões de litros. O mercado consumidor alemão prefere a qualidade à quantidade e valoriza as vinhas orgânicas, pelo que os produtores nacionais estão atentos aos problemas ambientais decorrentes das alterações climáticas, demandam cada vez mais respostas eficazes da biotecnologia no sector vitivinícola e apostam nas energias renováveis. Outros aspectos que não passam despercebido são a responsabilidade social e empresarial e a necessidade de se adequar aos interesses e anseios dos consumidores.

Para saber mais sobre os vinhos alemães, poderão consultar o website do Wines of Germany.

 

Assinatura Natália