Na década de 1980, a Organização Mundial da Saúde realizou um estudo epidemiológico a nível mundial, o Projecto Monica, que visou estudar a correlação entre os hábitos dietéticos e doenças cardiovasculares. Este estudo revelou o famoso “Paradoxo francês”: os franceses, quando comparados a outros povos da Europa e dos Estados Unidos, são mais sedentários, fumam mais e ingerem mais gorduras saturadas – manteiga, queijos e patês são ingredientes triviais da culinária francesa– e, ainda assim, apresentam um menor índice de problemas cardiovasculares.

A explicação para este facto assenta no facto de os franceses terem suas refeições acompanhadas de vinho, a bebida nacional. O vinho tinto é bastante rico em resveratrol e outros polifenóis que são antioxidantes eficazes na prevenção do desenvolvimento da aterosclerose e de doenças cardiovasculares. Esta pesquisa ainda apontou que os habitantes dos Mediterrâneo tinham índices de doenças do coração muito mais baixos do que os habitantes do norte da Europa, associando isto ao facto destes consumirem mais peixe e azeite de oliva e consumirem vinho regularmente, ao passo que a população dos países do norte da Europa consumirem preferencialmente cerveja, bebida esta que não tem propriedades antioxidantes como o vinho.

Apesar de artigos científicos prévios já indicarem os benefícios do vinho para saúde, foi a publicação do “Paradoxo francês” que incitou a atenção sobre o tema ‘vinho e saúde’, especialmente na comunidade científica. Note-se que estudos realizados com base no Paradoxo francês mostram que ingerir vinho pode ser benéfico para saúde desde que se faça junto as refeições, de maneira regular e moderada, e somente quando não existam contra-indicações ao consumo de bebidas alcoólicas.

Foto: Wine in Moderation
Foto: Wine in Moderation

 

Assinatura Natália