A região vitivinícola brasileira do Vale do São Francisco localiza-se no submédio do Vale do São Francisco, próximo ao conglomerado urbano composto pelas cidades de Petrolina (Pernambuco) e Juazeiro (Bahia). Assim, as vinhas encontram-se espalhadas pelos municípios baianos e pernambucanos situados nas margens do rio São Francisco.

Nesta região praticamente não há inverno, pelo que a fase de descanso da videira se dá pela interrupção parcial da irrigação que dura de 30 a 60 dias. Sem o estímulo da água a videira termina por entrar em dormência, podendo assim manter-se por um ou vários meses, conforme o que o enólogo pretender. Nela a capacidade produtiva das videiras é determinada não pelo clima (sempre seco e quente), mas pelo manejo.

Esse controlo do ciclo vegetativo possibilita o produtor ter no mesmo vinhedo parcelas como estados fenológicos distintos, isto é, podemos contemplar, lado a lado, videiras em diferentes estágios (algumas brotando, outras na fase da poda, umas completamente carregadas de cachos maduros e por fim, outras a testemunharem a mudança de cor das folhas).

Uma vez que a videira requer as quatro estações do ano,  a ausência do inverno, às margens do rio, permite-lhe produzir mais de duas vezes ao ano (2,5 ciclos vegetativos por ano), sendo esta uma condição peculiar da região (visto que nas regiões tradicionais mundo a fora presenciamos apenas um ciclo vegetativo por ano).

No mercado nacional e internacional, o Vale do São Francisco destaca-se principalmente pelo seu diferencial de produção e pela vitivinicultura tropical que desenvolve. Nesta região verificamos uma experiência singular no mundo da enologia, de modo que a viticultura do semi-árido tropical incita a  curiosidade em todo o globo.

Todavia, a ausência de descanso da vinha tem como consequência uma longevidade menor dos vinhedos,  me média de 15 a 20 anos – enquanto nas demais regiões vitivinícolas brasileiras a videira atinge 60 anos em produção plena.

Nesta região as uvas apresentam um alto grau de açúcar devido ao elevado grau de insolação e baixo índice de nebulosidade – especial destaque para as uvas colhidas entre os meses de outubro e janeiro- dando origem a vinhos bastante frutados. Já os frutos colhidos entre maio e agosto apresentam aromas mais finos, visto que ocorrem amplitudes térmicas significativas, levando a uma maturação mais lenta.

Bons vinhos!!

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Fotos: IBRAVIN
Assinatura Natália