Este é um tema controverso, muitos contestam o conceito, mas a prática nos mostra que este é um sonho de muitos produtores mundiais de vinho.

O termo terroir começou a ser empregue pelos monges franceses da região da Borgonha, que acreditavam que um mesmo produtor poderia produzir vinhos bastante distintos ainda que cultivasse as mesmas castas e empregasse os mesmos processos de vinificação devido aos diferentes locais em que instalavam suas vinhas. Assim, no século XIX, na França, as vinhas começaram a ser classificadas de acordo com o seu terroir, nascendo então os “Cru” borgonheses, cultivados pelas ordens religiosas (Cistercienses e Beneditinos) até à Revolução Francesa.

Este termo engloba todo o meio envolvente da vinha. Isto é: solo, exposição solar, temperatura, humidade, ventos, precipitação e influência de água. Deste modo, acredita-se que todo esse conjunto de factores influenciarão directamente na qualidade do produto final, a uva.

Na literatura, encontramos quem defenda que o terroir é capaz de imprimir nas uvas características próprias, únicas e é essa ideia de qualidade acrescida e exclusividade que vai repercutir na procura dos vinhos e consequentemente nos valores de comercialização. Daí a corrida pelo terroir ideal, aquele que apresente um equilíbrio entre planta, microclima e características muito específicas de solo. Aqui ainda há que se contemplar o factor humano com as suas práticas (por vezes, seculares) no campo da viticultura, bem como no da enologia. Ou seja, o terroir ainda engloba uma vertente de cultura e tradição, sendo o factor humano imprescindível na sua manifestação. Deste jeito, o terroir será o casamento entre o melhor que a natureza pode nos oferecer e as melhores técnicas e práticas humanas.

Signos distintivos de origem

Nesta temática, nos deparamos com os “signos distintivos de origem” – Denominações de Origem e Indicações Geográficas – que têm por objeto o local, o terroir, a cultura e a tradição, os fatores naturais e humanos que compõem a origem geográfica. O signo, portanto, representa tudo o que constitui essa origem geográfica. Quando o intérprete observa o signo é àquele conjunto que ele é remetido e o produto em que o signo é aposto representa o resultado dos fatores naturais e humanos de uma determinada região, harmonizados de maneira singular.

O signo distintivo de origem pode, para além de representar o objecto, distinguí-lo de outros objectos congéneres, sendo também um signo distintivo face as demais regiões que apresentam um terroir, cultura e tradições distintas. Este tipo de signo faz alusão à terroirs únicos nos quais são elaborados produtos também únicos em sua representação e quando aposto no produto sustenta a representação da origem e na distinção desta origem face as demais. O vinho é um dos produtos que mais tem utilizado os signos distintivos de origem devido ao seus estreito relacionamento com o terroir, a cultura e a tradição de sua origem geográfica.

Assinatura Natália