Estes produtos fomentam a diversidade no sector e impulsionam novos mercados. Destinados à um público muito específico, têm adquiridos novos adeptos e exercem um papel interessante no debate sobre as práticas agrícolas, nos fazendo questionar e rever alguns aspectos. Não é tudo sobre sustentabilidade ambiental. Na verdade, expressam também uma preocupação relativamente aos produtos que ingerimos e o impacto destes na nossa saúde.

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Embora estejam cada vez mais em voga e mais vinícolas estejam a apostar nestes estilos de vinhos, diversificando o seu portfólio, o público em geral ainda não tem presente estes conceitos, de modo a contrapor suas similitudes e dessemelhanças, pelo que se torna interessante analisar brevemente cada um destes produtos, de maneira a elucidar e descomplicar este tema.

 Vinhos Orgânicos

Os vinhos orgânico são aqueles produzidos a partir de uvas de cultivo orgânico, isto é, uvas que foram cultivadas sem a utilização de herbicidas, pesticidas, fungicidas, fertilizantes ou produtos químicos.  Na vinha são empregues somente produtos naturais, sendo banido o uso de produtos químicos. Habitualmente, são utilizados animais no controlo de pragas e compostos orgânicos para a fertilização, adubação e eliminação de fungos e ervas daninhas. Verifica-se um respeito pela saúde do solo e pela biodiversidade local, descartando-se a utilização de agrotóxicos e tirando-se um maior partido dos nutrientes naturalmente presentes nos solos de um ecosistema em equilíbrio. Note-se, porém, que nas práticas enológicas dos vinhos orgânicos são admissíveis intervenções químicas correctivas ainda que estas tenham que respeitar algumas restrições impostas pelas regras específicas, controladas e certificadas pelas entidades certificadoras.

Vinhos Biodinâmicos

Os vinhos biodinâmicos, por sua vez, dão um passo além quando comparado aos vinhos “orgânicos”,  já que aprofundam os preceitos da agricultura orgânica ao agregar também conceitos filosóficos e espirituais, procurando uma maior harmonia do homem com a natureza.

O termo “biodinâmica” começou a ser utilizado nos anos 20 do século passado assente nos ensinamentos do filósofo austríaco Rudolf Steiner. A biodinâmica compreende a agricultura como um sistema interconectado e parte de um fluxo de energia cósmica. Aqui é fundamental que a vinha seja regida por práticas orgânicas, afastando também o uso de pesticidas ou outros elementos químicos. Todavia, aqui vamos mais longe, na medida em que há o respeito pelo calendário lunar, sincronizando as práticas agrícolas aos movimentos cósmicos; a utilização de cavalos e não de tratores, de modo a evitar a compactação do solo; a utilização de produtos naturais (soluções fitoterápicas) no combate de pragas; a energização do solo através de cristais e etc.

Na biodinâmica vamos ter em conta uma filosofia de vida, extrapolando a preocupação com a sustentabilidade. Por vezes, há mais componentes filosóficas do que uma verdadeira busca pela qualidade acrescida do produto final.

Assim como os vinhos orgânicos, os vinhos biodinâmicos também são objectos de uma certificação e vieram para  dar resposta à um nicho de mercado.

Vinhos Naturais

Os vinhos naturais são aqueles elaborados com a menor utilização possível de produtos químicos, aditivos e processos tecnológicos, de modo que o produto final expresse mais acentuadamente o seu terroir. As uvas utilizadas na elaboração destes vinhos são fermentadas sem qualquer tipo de intervenção – desde a vinha até a garrafa-, apenas com as leveduras selvagens presentes na própria fruta. Assim, neste âmbito não é permitida qualquer intervenção química corretiva (não há correcção de acidez ou açúcar, por exemplo) nem a adição de Anidrido Sulfuroso que contribui para a conservação da bebida. Podemos assim dizer que os preceitos dos vinhos naturais não se detém apenas à vinha, estes se estendem até a vinificação. Ou seja, há mais critérios a serem respeitados que não se limitam às práticas de uma viticultura sustentável, mas que também passam pelas práticas enológicas, afastando aqui a correção de acidez, a micro-oxigenação, bem como a adição de sulfitos, leveduras, açúcar e aditivos para corrigir cor e aromas.

Assim como os vinhos biodinâmicos, estes também seguem o calendário lunar, solar e astrológico. Contudo, os vinhos naturais ainda não contam com uma certificação oficial própria, pelo que tendem a ser comercializados como vinhos de mesa, embora respeitem preceitos mais rígidos na sua elaboração.

 

 

 

Assinatura Natália