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Apaixonada por vinhos, acredito que as coisas boas da vida devem ser brindadas. Encontre aqui dicas do que há de melhor no mundo da vitivinicultura.

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Winelicious | Entrevista com o Enólogo Manuel Lobo de Vasconcellos
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Entrevista com o Enólogo Manuel Lobo de Vasconcellos

Entrevista com o Enólogo Manuel Lobo de Vasconcellos

EM ENTREVISTA AO WINELICIOUS WINE BLOG, O ENÓLOGO MANUEL LOBO DE VASCONCELLOS, UM DOS  RESPONSÁVEIS PELOS BONS  E FAMOSOS VINHOS DA QUINTA DO CRASTO, CONTA-NOS UM POUCO SOBRE O SEU TRABALHO E SUAS PREFERÊNCIAS NO MUNDO DOS VINHOS. CONFIRA!

 

Quando surgiu a paixão pelos vinhos?

A paixão pelo vinho surgiu de uma forma natural, uma vez que tanto o meu pai como a minha mãe estiveram sempre ligados à agricultura, e mais especificamente ao negócio da vitivinicultura. Enquanto a minha mãe se ocupava dos vinhos da família da Quinta do Barão, na região de Carcavelos, o meu pai (Engº Agrónomo), levava o negócio agrícola da sua parte da família na região do Ribatejo, entre os quais claramente a vinha e vinho na Quinta do Casal Branco.

Tenho ótimas recordações de fim de semanas inteiros passados no “campo” na companhia do meu irmão e dos meus pais. Foram estes bons momentos que despertaram a minha paixão pelos vinhos.

Ao olhar para trás acredita que poderia não ter enveredado pela enologia ou este seria um destino inevitável?

Sempre gostei de números e existiu uma altura que tive dúvidas se deveria seguir a área de gestão mas, no final, a minha ligação ao “campo” e paixão pelos vinhos  falou mais alto e segui para Enologia.

O que pensa acerca dos vinhos portugueses? O que pode nos apontar como maior qualidade dos vinhos nacionais e o que pode indicar como maior fragilidade?

Acredito sinceramente que os vinhos portugueses têm um futuro muito promissor. Somos um país de norte a sul com uma diversidade vitícola excecional, com uma panóplia de castas, com a qual podemos criar vinhos diferentes, de grande qualidade, complexidade e, acima de tudo, vinhos com identidade própria.

A maior qualidade dos vinhos nacionais é a identidade diferenciadora, a maior fragilidade está na dificuldade de explicar esta nossa identidade ao consumidor mundial desconhecedor.

É um dos defensores das castas portuguesas? Acredita que devemos explorar novas variedades e apostar mais nas castas autóctones como factor de diferenciação do vinho português no mercado internacional?

Sem dúvida, acredito que a médio longo prazo Portugal seja reconhecido pela qualidade dos seus vinhos e acima de tudo pela sua diferenciação e identidade. Felizmente já existem empresas portuguesas a traçar esse caminho e com excelente reconhecimento a nível internacional.  Mas o caminho é longo e temos de continuar a trabalhar, ainda temos muito para descobrir e para aprender.

Há alguma casta que tenha um maior carinho ou que goste mais de trabalhar?

Seria mais fácil responder as que menos gosto de trabalhar. Felizmente somos um país com uma imensidão de castas e muitas delas com grande qualidade. No entanto cada enólogo deverá conhecer a fundo cada variedade, de forma a extrair ao máximo o seu potencial, mas respeitando sempre a sua identidadeTodas as castas têm as suas vantagens e desvantagens , cabe ao enólogo conhecê-las e, com isso, criar o lote  que  se aproxime do vinho perfeito.

Pode citar três características fundamentais para que considere um vinho excelente?

Existem várias mas, para mim, um vinho só será excelente se apresentar equilíbrio, frescura e identidade

Qual é a região portuguesa que mais lhe agrada trabalhar? O que esta tem de especial?

Pela paixão e pela dedicação terei de dizer “O Douro“ (com especial destaque para a Quinta do Crasto), onde me encontro a trabalhar como enólogo há 16 anos, uma região especial pela sua complexidade. Não consigo descartar as regiões do Alentejo e do Tejo, onde comecei a trabalhar desde 2014, e onde considero que cada uma, com as suas especificidades, tem ainda um enorme potencial de evolução.

Já teve oportunidade de atuar em outros países, o que certamente trouxe experiências profissionais positivas. Há algum país que ainda tenha a curiosidade em trabalhar ou um sonho profissional ainda por realizar?

 Tive oportunidade de trabalhar na Austrália, nos Estados Unidos e em França. Em todos eles experiências profissionais muito enriquecedoras.

Neste momento, estou focado no nosso país, mas tenho sempre interesse e curiosidade de conhecer outros países, novas tendências vínicas. Enfim, “o saber não ocupa lugar”.

 Qual a filosofia que está por trás dos vinhos que cria? O que pretende exprimir através da arte do vinho?

Tento exprimir uma filosofia simples, ou seja, simplesmente respeito o melhor que cada parcela de vinha nos dá, tento fazê-lo com máxima transparência e sem contrariar a identidade.

A vitivinicultura se entrecruza com princípios de sustentabilidade e responsabilidade ambiental. No exercício do seu trabalho, quais são as principais políticas que tem adotado neste âmbito?

Considero fundamental uma viticultura direcionada para um perfeito equilíbrio entre o status quo existente e o ecossistema, maximizando o património “terra” e tudo aquilo que lhe está associado. O objetivo é, assim, criar condições ecológicas para produção de uvas de elevada qualidade, promovendo a natureza, a continuidade das espécies e os fatores que lhe estão intrinsecamente ligados.

 Na sua opinião, quais serão as principais tendências no mercado dos vinhos na próxima década?

O consumidor mundial é atualmente muito diversificado, pelo que dá possibilidade de aparecerem várias tendências e algumas delas quase radicais (e irracionais) mas, a meu ver, a maioria não fideliza o consumidor. Acredito em vinhos que apresentem consistência ano após ano e que fidelizem o consumidor. Não quero dizer, com isto, que estes vinhos não evoluam, muito pelo contrário devem adaptar-se à evolução do consumidor global e ir ao encontro da sua tendência. Na minha perceção, o cosumidor actual é mais conhecedor e procura vinhos corretos, equilibrados, sem exageros de álcool, sem extrações exagerados, em resumo vinhos que sejam bebíveis e que dêem prazer a beber.

Rolhas de cortiça ou de vidro? Acredita que estas últimas serão mais populares em Portugal?

Prefiro falar de vinho e não de vedantes. Infelizmente ainda não existe nenhum vedante perfeito para o vinho. Caso já existisse, este tema não seria tantas vezes tema de conversa.

Existe uma grande variedade de barricas e tipos de tostas, um mundo vasto, complexo e também apaixonante. Qual a importância da tanoaria nos vinhos que desenvolve? Há preferências?

O mundo das barricas é um puzzle, cabe ao enólogo saber diferenciar a tipologia de madeira, respetivas tostas e conhecer a fundo cada tanoaria. Só assim se consegue perceber que perfil de barrica se adapta melhor a cada vinho. É uma parte muito importante do trabalho do enólogo e só se consegue com a experiência na prova organolética.

Quais sãos os principais desafios de um enólogo hoje em dia?

O constante desafio é fazer vinhos que se adaptem às tendências de mercado e que sejam procurados pela sua qualidade.

Outro desafio é tentar aliar as tendências de mercado sem perder a identidade de cada vinho.

Qual sugestão que daria aos novos profissionais da enologia?

Não se acomodarem que ainda há muito por descobrir.

Pode partilhar connosco uma sugestão de harmonização?

O novo vinho da Quinta do Casal Branco “Falcoaria Grande Reserva 2015”, a acompanhar perdizes estufadas em borras de vinho do porto, com o acompanhamento de batata palha e couves de Bruxelas salteadas em azeite e alho.

 

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